Valores culturais e mercado cultural.. Riquezas culturais X exploração da cultura

Novembro 24, 2007

Foto: Cavalo-Marinho – Brésil : Fête de Rue du Nordeste – Fnacmusic – Téléchargement de musique

Ontem navegando pela internet, durante uma hora de relax, dei uma procurada no Google por Cavalo-Marinho, um dos folguedos que mais amo. Realmente é uma riqueza de nossa cultura brasileira. Me deparei com um CD que pouca gente conhece por aqui, que se chama Cavalo Marinho, Brésil, Fête de Rue du Nordeste.

É um CD feito produzido por uma gravadora francesa chamada Buda Musique. Comecei a ouvir as faixas demo e vi que era, se não a melhor, uma das mais belas obras de Cavalo-Marinho que já ouvi. Relamente foi gravado com muito carinho e inteligência técnica. Me desesperei pra comprar o CD. Procurei em tudo que é loja virtual no Brasil e adivinha só…. nada de Cavalo-Marinho du Nordeste hehehehehe.

Realmente este CD só está disponível pra venda na frança, em lojas vituais francesas. Nada mais justo.. a gravadora veio aqui, fez um trabalho maravilhoso e tá vendendo lá na frança… só não tenho idéia de quem compra este tipo de CD por lá!

Eu então resolvi comprar o CD, custava 25 Euros! R$ 60 e poucos reais! (fora o frete)! Ia chegar aqui por R$ 100,00. Resolvi então comprar só os arquivos MP3 da gravação… melhor, saiu o CD inteiro por 9 euros.

Agora o que me encucou nesta história toda foi saber que os franceses vieram aqui, capturaram, incentivaram e registraram nossa cultura. Depois eu fui e comprei um CD na frança, que não passa por fronteira física já que o produto que recebi são apenas bits, arquivos MP3s transferidos pelo Ciberspaço, logo não pago imposto nenhum de importação e a venda deste CD de cultura popular Brasileira não gerou receita financeira nenhuma para o Brasil (estou enganado?). Os franceses lucraram com a exploração de nossa cultura. Nada contra, achei o trabalho deles bárbaro.. meu lamento é que não fomos nós que fizemos e por isso acho que pouca gente vai ter acesso a este CD, muita gente que queria…

Cultura popular a parte, acho que este post meu abre um arquivo em minha cabeça que é a questão de produtos multimídias e o comércio internacional deles. Não entendo muito bem como funciona esta questão de importação e exportação, taxas e impostos, mas é bem interessante imaginar que posso comprar 1000 CDs de música e não pagar impostos de importação nenhum e, por incrível que pareça, estar dentro da lei!

É de se pensar, não?

Escrito por richieri ligado Outubro 3, 2007.


A Ordem do Mérito Cultural – 2007

Novembro 8, 2007

A Ordem do Mérito Cultural foi instituída pelo Ministério da Cultura, em 1995, por decisão do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, por meio do Decreto nº 1.711 de 22 de novembro de 1995. Seu objetivo é tornar público o empenho de cidadãos e cidadãs que, de maneira significativa, destacaram-se na prestação de serviços à Cultura Brasileira.

Com esta comenda, o governo retoma uma antiga tradição brasileira que vem desde o Segundo Reinado e tem origens no Século XII, em plena guerra entre cristãos e muçulmanos na Península Ibérica. De acordo com a cerimônia medieval estabelecida pelo rei Afonso VII, de Castela, a monarquia reservava uma medalha, a de São Tiago da Espada, para honrar guerreiros do Cristianismo que defendiam o túmulo de São Tiago, na Galícia, dos ataques mouros.

Restabelecida em Portugal, a partir de 1862, com o título de Ordem de São Tiago do Mérito Científico, Literário e Artístico, a insígnia chegou ao Brasil com o nome de Ordem de São Tiago – já destinada, desde então, aos cidadãos que mais ativamente se dedicavam à Cultura e às Artes.

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Entrevista com MV Bill, da revista Raiz 01.

Outubro 18, 2007

RAIZ DA QUESTÃO

A PERIFERIA DO MUNDO E O MUNDO DA PERIFERIA.

EM LONDRES, O RAPPER
CARIOCA MV BILL DIZ QUE A CULTURA POPULAR E NACIONAL TAMBÉM SE FAZ DE APROPRIAÇÕES DO ESTRANGEIRO. ENTREVISTA A THEREZA DANTAS

Quais as referências culturais das periferias no Brasil – músicas, filmes, literatura?
Se for para ter como referência o que toca nas rádios e o que passa na TV, nos tornamos um povo sem referência. Não que elas não existam, mas parece que a todo momento temos que nos auto-afirmar para desconstruir a imagem de coitados e subalternos.

A mídia central vem passando que imagem da periferia brasileira?
A de que os favelados só conseguem ascensão por uma arte que essa mídia despreza, ou através da criminalidade. Depois, nos enfiam goela abaixo seus artistas, que em muitos casos são verdadeiras aberrações culturais.

Cultura brasileira, cultura popular, o que é e em que pé está?
Vejo violação tanto na cultura brasileira, a que tem a ver com a história do país, quanto na cultura popular, a que está na boca do povo. Aqui em Londres estou diante de uma situação paradoxal: a música brasileira conhecida por aqui está longe das “babas” que transitam pelas FMs brasucas. As pessoas mais antenadas conhecem mais da nossa história do que nós mesmos. Tem uma casa aqui chamada Guanabara, que toca música brasileira o tempo todo; no telão passam documentários falando da construção do Brasil, da musicalidade do Nordeste, da nossa multirracialidade. É mais fácil aprender sobre nós mesmos num club de Londres do que na TV brasileira (pelo menos para mim).

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